
Há pouco mais de 12 anos assistíamos à aula inaugural de Fisiologia no ICB da UFMG.
Nós, alunos de Psicologia, oriundos da FAFICH, também UFMG... Mas, FAFICH...
A professora, em questão, não escondia a insatisfação e o esforço que necessitava empenhar na tarefa de acompanhar o semestre daqueles alunos. Lecionar um conteúdo tão significativo e que exige tanta competência; além de uma capacidade especial para apreendê-lo, a uma classe de faficheiros...
Ah! Que absurdo! Parecia que era um castigo que a chefe do departamento daquela unidade direcionava a alguns professores a cada semestre... ganhar a turma dos faficheiros...
Estar nos corredores do ICB gerava desde o primeiro dia, inaugurado pela aula de Anatomia quando ainda éramos calouros, uma estranheza... um sentimento de fora do ninho, de patinho feio, como já nos contou Andersen em sua emocionante e premiada estória.
Bem, estávamos no terceiro período. Quem conquistou uma cadeira na aula de Fisiologia havia vencido dois semestres (Anatomia e Neuroanatomia)... Sempre, com o sentimento de que havia se esforçado além da própria capacidade... que contara com a nobreza dos mestres e doutores (literalmente, mais doutores que mestres) que se dispuseram a lecionar para os menos favorecidos intelectualmente, e outras coisas mais...
Bem, mas nada parecido até então com o que ocorreu na aula de Fisiologia...
Naquele primeiro dia fomos recebidos pela “benevolente”, “caridosa”, “paciente” professora da disciplina que nos indicou o programa impossível de acompanharmos.
“Nivelarei ao melhores (os médicos, ainda estudantes de medicina).”
“Não pensem que vou ceder para a mediocridade de vocês. Vocês não sabem estudar, não sabem apresentar trabalhos, fazem provas horrorosas”... E por aí desenvolvera o seu discurso.
Para finalizar, depois de esclarecer que seria uma grande batalha, o desafio de nossa vida discente, vencer aquela disciplina, ainda fomos surpreendidos com a seguinte colocação:
“Na próxima aula vocês assistirão como se apresenta um trabalho. Será o modelo que deverão seguir para a apresentação de vocês. Já chega estar aqui com este tipo de turma, não vou aceitar ficar escutando as suas besteiras. Sei que será difícil para vocês acompanharem o nível do qual irão testemunhar, mas, deverão se empenhar muito, pois, não aceitarei nada menor...”
Nas duas aulas seguintes assistimos a apresentação dos estudantes de medicina... Eles acreditavam em tudo o que a professora dizia... Talvez, nós também...
Caríssimos, está parecendo uma estória de alguém que ficou “recalcado” (no senso comum da palavra, mesmo) e que é mais uma fantasia, pois o discurso imprime um caráter exagerado. Mas, afirmo que não consigo repetir o “show” de arrogância e presunção que assistimos.
A professora altiva dos primeiros dias de aula elaborou um programa em que não precisava dar aulas expositivas. Realizávamos leitura do conteúdo, (GE) grupos de estudo e exercícios, (GD) grupos de discussão... Depois, cada grupo era responsável em apresentar uma das questões para a turma. E a professora... dormia (literalmente). Até em nossas apresentações de trabalho, ela dormia.
Pensarão que ela estava certa, que os trabalhos estavam pouco elaborados em relação ao conteúdo e aos recursos para a apresentação... mas, não! Não éramos tolos de não explorarmos em nós as nossas capacidades de pseudos-doutores.
Aliás, fomos nossos mestres nesta disciplina... Bons mestres...
Ninguém precisou fazer prova suplementar.
Pergunta: Pedagogia... Provocar para criar desafios... Não sei...
E pouco mais de 12 anos depois... quanta coisa mudou em minha vida... e tenho certeza na vida de meus colegas, da professora... dos estudantes de medicina... etc e tal...
Agora estava matriculada em uma disciplina de um departamento da própria FAFICH. Talvez, por ironia do destino elas apresentam mais de uma circunstância semelhante: o FI, serem de departamento fora do departamento de psicologia... ser elaborada para receber mestres e doutores, pessoas privilegiadamente bem dotadas cognitivamente, intelectualmente.
Mais ainda, dessa vez percebi que os mestres e doutores, também são tolerantes, pacientes, cheios de boa vontade... Pessoas acima do bem e da verdade... Mas, também, são metafísicos... Talvez, o que falamos tantas vezes nessa disciplina: são transcendentais...
Eu... eu sou qualquer coisa que aprendi palavras difíceis e bonitas...
Mas, também sou ousada!!! HAHAHAHAHA
Ou será burra...
Casada há quase 12 anos, mãe de 2 crianças maravilhosas (2 lindo meninos), cuido dos 2 e amamento 1 deles... dona da casa e de casa em todos os sentidos (lavo, limpo, passo, cozinho, administro)... psicóloga, psicanalista (atualmente, 23 pacientes por semana), amiga, filha, colega; também, tento o tempo prá novela, para o filme, para o noticiário, para a Canção Nova, para o serviço social... trabalho a minha espiritualidade, agradando, louvando e agradecendo a Deus...
Bem, também estudo... além de me dedicar a cada caso que acompanho, resolvi aproveitar a boa vontade dos mestres e doutores da filosofia e tirei do meu tempo que é “tão livre” e “pouco aproveitado” uma quarta-feira das 14h as 18h (mais 1hora para ir e vir) e estudar lá com eles... Talvez, ser o parâmetro de como eles são geniais em um mundo de tolos como eu que não leu nada do que eles leram, que não fala as várias línguas que eles falam, que se esforça para entender Kant e outros tantos teóricos com dificuldade...
E o professor, falou na primeira aula que nivelaria à turma... não adiantava pedir atenção especial... seria difícil acompanhar e se estávamos ali, que fizéssemos a nossa parte...
Acredito que era, desistam... Por favor, não retornem na próxima aula... hahahahahaha
Teimosa!
Voltei!
Estudo se dá...
Bom começar a conhecer Kant...
Bom viver...
Quanta coisa não mudou...
Mas, quanta coisa eu mudei...
Tudo, Graça de Deus em minha vida... Tudo virtude que ele dá...
E das minhas misérias, porque estas são minhas mesmo, tento encontrar a luz...
No ICB, na Psicologia, na Filosofia... em família... nos meus filhos e no meu marido... nos meus amigos... nos livros respeitados e nos criticados... nos saquinhos de pão com mensagens de auto-ajuda...
Nós, alunos de Psicologia, oriundos da FAFICH, também UFMG... Mas, FAFICH...
A professora, em questão, não escondia a insatisfação e o esforço que necessitava empenhar na tarefa de acompanhar o semestre daqueles alunos. Lecionar um conteúdo tão significativo e que exige tanta competência; além de uma capacidade especial para apreendê-lo, a uma classe de faficheiros...
Ah! Que absurdo! Parecia que era um castigo que a chefe do departamento daquela unidade direcionava a alguns professores a cada semestre... ganhar a turma dos faficheiros...
Estar nos corredores do ICB gerava desde o primeiro dia, inaugurado pela aula de Anatomia quando ainda éramos calouros, uma estranheza... um sentimento de fora do ninho, de patinho feio, como já nos contou Andersen em sua emocionante e premiada estória.
Bem, estávamos no terceiro período. Quem conquistou uma cadeira na aula de Fisiologia havia vencido dois semestres (Anatomia e Neuroanatomia)... Sempre, com o sentimento de que havia se esforçado além da própria capacidade... que contara com a nobreza dos mestres e doutores (literalmente, mais doutores que mestres) que se dispuseram a lecionar para os menos favorecidos intelectualmente, e outras coisas mais...
Bem, mas nada parecido até então com o que ocorreu na aula de Fisiologia...
Naquele primeiro dia fomos recebidos pela “benevolente”, “caridosa”, “paciente” professora da disciplina que nos indicou o programa impossível de acompanharmos.
“Nivelarei ao melhores (os médicos, ainda estudantes de medicina).”
“Não pensem que vou ceder para a mediocridade de vocês. Vocês não sabem estudar, não sabem apresentar trabalhos, fazem provas horrorosas”... E por aí desenvolvera o seu discurso.
Para finalizar, depois de esclarecer que seria uma grande batalha, o desafio de nossa vida discente, vencer aquela disciplina, ainda fomos surpreendidos com a seguinte colocação:
“Na próxima aula vocês assistirão como se apresenta um trabalho. Será o modelo que deverão seguir para a apresentação de vocês. Já chega estar aqui com este tipo de turma, não vou aceitar ficar escutando as suas besteiras. Sei que será difícil para vocês acompanharem o nível do qual irão testemunhar, mas, deverão se empenhar muito, pois, não aceitarei nada menor...”
Nas duas aulas seguintes assistimos a apresentação dos estudantes de medicina... Eles acreditavam em tudo o que a professora dizia... Talvez, nós também...
Caríssimos, está parecendo uma estória de alguém que ficou “recalcado” (no senso comum da palavra, mesmo) e que é mais uma fantasia, pois o discurso imprime um caráter exagerado. Mas, afirmo que não consigo repetir o “show” de arrogância e presunção que assistimos.
A professora altiva dos primeiros dias de aula elaborou um programa em que não precisava dar aulas expositivas. Realizávamos leitura do conteúdo, (GE) grupos de estudo e exercícios, (GD) grupos de discussão... Depois, cada grupo era responsável em apresentar uma das questões para a turma. E a professora... dormia (literalmente). Até em nossas apresentações de trabalho, ela dormia.
Pensarão que ela estava certa, que os trabalhos estavam pouco elaborados em relação ao conteúdo e aos recursos para a apresentação... mas, não! Não éramos tolos de não explorarmos em nós as nossas capacidades de pseudos-doutores.
Aliás, fomos nossos mestres nesta disciplina... Bons mestres...
Ninguém precisou fazer prova suplementar.
Pergunta: Pedagogia... Provocar para criar desafios... Não sei...
E pouco mais de 12 anos depois... quanta coisa mudou em minha vida... e tenho certeza na vida de meus colegas, da professora... dos estudantes de medicina... etc e tal...
Agora estava matriculada em uma disciplina de um departamento da própria FAFICH. Talvez, por ironia do destino elas apresentam mais de uma circunstância semelhante: o FI, serem de departamento fora do departamento de psicologia... ser elaborada para receber mestres e doutores, pessoas privilegiadamente bem dotadas cognitivamente, intelectualmente.
Mais ainda, dessa vez percebi que os mestres e doutores, também são tolerantes, pacientes, cheios de boa vontade... Pessoas acima do bem e da verdade... Mas, também, são metafísicos... Talvez, o que falamos tantas vezes nessa disciplina: são transcendentais...
Eu... eu sou qualquer coisa que aprendi palavras difíceis e bonitas...
Mas, também sou ousada!!! HAHAHAHAHA
Ou será burra...
Casada há quase 12 anos, mãe de 2 crianças maravilhosas (2 lindo meninos), cuido dos 2 e amamento 1 deles... dona da casa e de casa em todos os sentidos (lavo, limpo, passo, cozinho, administro)... psicóloga, psicanalista (atualmente, 23 pacientes por semana), amiga, filha, colega; também, tento o tempo prá novela, para o filme, para o noticiário, para a Canção Nova, para o serviço social... trabalho a minha espiritualidade, agradando, louvando e agradecendo a Deus...
Bem, também estudo... além de me dedicar a cada caso que acompanho, resolvi aproveitar a boa vontade dos mestres e doutores da filosofia e tirei do meu tempo que é “tão livre” e “pouco aproveitado” uma quarta-feira das 14h as 18h (mais 1hora para ir e vir) e estudar lá com eles... Talvez, ser o parâmetro de como eles são geniais em um mundo de tolos como eu que não leu nada do que eles leram, que não fala as várias línguas que eles falam, que se esforça para entender Kant e outros tantos teóricos com dificuldade...
E o professor, falou na primeira aula que nivelaria à turma... não adiantava pedir atenção especial... seria difícil acompanhar e se estávamos ali, que fizéssemos a nossa parte...
Acredito que era, desistam... Por favor, não retornem na próxima aula... hahahahahaha
Teimosa!
Voltei!
Estudo se dá...
Bom começar a conhecer Kant...
Bom viver...
Quanta coisa não mudou...
Mas, quanta coisa eu mudei...
Tudo, Graça de Deus em minha vida... Tudo virtude que ele dá...
E das minhas misérias, porque estas são minhas mesmo, tento encontrar a luz...
No ICB, na Psicologia, na Filosofia... em família... nos meus filhos e no meu marido... nos meus amigos... nos livros respeitados e nos criticados... nos saquinhos de pão com mensagens de auto-ajuda...
P.S.: Sinto falta do senhor de 60 anos que se apresentou no primeiro dia de aula e não retornou... gostaria de “ler” um pouco sobre o que ele lê e escreve na vida...
Ainda estou a caminho...
Obrigada, Jesus!!!

