quarta-feira, 16 de setembro de 2009


Vínculos de amor


Mulheres que têm uma estrutura de apoio para lidar com as atividades diárias conseguem ser mães e profissionais ao mesmo tempo.

Mais experiente, a cabeleireira Maria Aparecida Fernandes está aguardando a chegada do quarto filho para o início de fevereiro, mas não se apavora tanto como da primeira vez. Ela conta com a ajuda do marido e dos outros três filhos, de 15, 10 e 6 anos. “Eles colaboram muito. Lavam os copos e os pratos que usaram, penduram a toalha usada, guardam as roupas no armário, para manter a casa em ordem.”
Com a colaboração de cada um, Aparecida pode educar os filhos e continuar trabalhando, como faz há 17 anos. “Depois de se profissionalizar no Senac e de fazer cursos de atualização na área, ela não se vê sem o trabalho no Pampulha Iate Clube (PIC), onde conseguiu organizar seus horários para continuar sendo mulher e mãe. “Amo o que eu faço, sendo que 50% da minha satisfação na vida vem da profissão e a outra metade da minha família.”
Os horários de Aparecida são bem flexíveis, já que trabalha às quintas, sábados, domingos e feriados. “Às segundas, terças, quartas e sextas estou disponível para ficar em casa e cuidar de tudo, sempre com o apoio incondicional do marido, que, além da disciplina adquirida no Corpo de Bombeiros, sabe educar os filhos. “Ele é um super pai e marido. Eu vou ter a Aline e entregar para ele, que é o homem que eu pedi a Deus.”
Casada pela segunda vez com Luiz Carlos, de 42 anos, ela vai ter outro apoio importante, assim que nascer Aline. “Vamos voltar para Pedro Leopoldo, na Grande BH, onde mora toda a minha família. Construímos uma casa bem perto da minha mãe e da minha irmã. Estou realizando um sonho, pois posso trabalhar em paz.”
Ela vai ficar em casa os quatro meses de licença-maternidade, mas nem pensa em parar de trabalhar por mais tempo, “pois gosto de ter o meu dinheiro e a minha independência”, diz ela, que nunca escondeu a realidade dos filhos. “Acho até que sou um exemplo para eles, mas procuro conversar muito, explicar para eles da necessidade de trabalhar. Nunca deixei nenhum filho meu chorando em casa.”
Sem saber, Aparecida conseguiu o que muitas mães sonham: a ajuda prática e emocional de toda a família, para exercer a maternidade e sua profissão, sem tanta culpa e cobrança. É o que constata a psicóloga Daniela Silveira, do Projeto Nascer. “As mulheres têm que se preparar desde o princípio da gravidez. Precisam se organizar, saber com quem vão poder contar, se com a ajuda da família, de babás, creches, escolas, pois a natureza é sábia. O bebê leva nove meses para nascer e para que a mãe possa ir se acostumando com a nova vida. Ela não pode deixar tudo para os últimos 15 dias da licença-maternidade.”
Se o papel da mulher mudou na sociedade, é preciso também transformar o do pai. “A mãe não tem que fazer tudo sozinha. Precisa do apoio do companheiro, de uma vizinha, da mãe e da sogra. Se for mãe sozinha, pode, por exemplo, morar com uma amiga que também está vivendo a mesma situação. É preciso aprender a fazer laços afetivos e solidários, saber que existem pessoas que podem ampará-la, em caso de necessidade.”
Sem culpa
Ela destaca ainda que a mãe tem sempre a impressão de que só ela saberá cuidar, mas há grande diferença entre o ideal e o possível. “É preciso adaptar-se e deixar a culpa de lado, pois uma mãe infeliz e angustiada passa esses sentimentos para a criança, interfere na relação. Ela só vai conseguir dar o melhor de si, se estiver bem consigo mesma.”
Daniela diz para as mães que errar é normal. “Se a creche não está boa, se a babá não deu certo, é só mudar, repensar.” Mas lembra que deixar a criança aos cuidados da família é sempre melhor, pois “ela poderá compartilhar os mesmos valores”. Caso contrário, procurar pessoas e lugares que estejam próximos desses valores e ter um tempo para o bebê. “Pode ser um banho, uma massagem, ouvir uma música, contar histórias, mas, sem fazer outras coisas ao mesmo tempo, sem dispersar a atenção, atendendo celular, vendo televisão ou desempenhando outras tarefas.”
Não existe receita nem regras para as mães que estão voltando ao trabalho: “Elas têm que saber de seus limites, do que dão conta ou não. É um processo de construção, de descoberta e de autoconfiança”. (DJ)

sábado, 12 de setembro de 2009



Vida


Separação civilizada



Escritor lança uma espécie de manual de etiqueta, para casais que optam pelo fim do casamento sem ressentimentos

Mágoas, decepções, expectativas frustradas, desamor, vontade de vingar o orgulho ferido. Em meio a esse turbilhão de sentimentos que, muitas vezes, envolve casais que se separam, sobram os filhos. E é justamente pensando no bem deles (e para tranqüilidade da nova família) que pai e mãe devem seguir as regras da boa convivência ou o que atualmente passou a ser chamo de etiqueta da separação.
Essa etiqueta envolve, acima de tudo, sabedoria do casal para negociar, como recomenda o escritor Marcos Wettreich, autor do livro Manual de mães e pais separados - guia para a educação e a felicidade dos filhos, lançado recentemente pela Ediouro. A partir de sua própria experiência de separação, ele mostra os caminhos de um divórcio menos traumático e conturbado.
Pai de gêmeos, Marcos está longe de fazer apologia do fim do casamento. Pelo contrário, considera que, idealmente, a relação deve ser feita para durar. Entretanto, se a situação do casal é ruim e não há meios de resolvê-la, o melhor é desatar os laços, de forma a afetar as crianças o mínimo possível.
Não que isso seja fácil, mas algumas de seus conselhos podem ser úteis, na hora de estabelecer uma nova rotina nos relacionamentos . “Com menos culpa e agindo de maneira correta e respeitosa, a separação não precisa ser, necessariamente, ruim. A nova família terá ex-marido e ex-mulher, mas jamais ex-pai e ex-mãe”, pondera.
Para facilitar, os pais devem pensar que são sócios no bem mais precioso que têm: os filhos. Sendo assim, o mal que um faz ao outro, sempre respinga na criança. É muito comum, por exemplo, situações como a do menino João, de 7 anos, que reclama sempre que o pai não gosta mais dele, nunca telefona, nem aparece para visitas. No entanto, não desconfia de que a mãe intercepta ligações do pai, impede que a família dele se comunique com a criança e tenta punir o ex-marido, impedindo-o de ver o filho. Em situações semelhantes, como acredita a psicóloga Daniela Maria, quem acaba sendo castigada de verdade é a criança que, além de sofrer com a separação, é obrigada a conviver com a ausência do pai.
Ser considerado um pai ausente foi o que o instrutor de auto-escola Carlos Wellington Lima, de 34 anos, sempre quis evitar, desde que se separou da mulher, há pouco mais de dois anos. Para preservar o relacionamento com o filho Marco Túlio da Silva Lima, de 6 anos, ele mantém um diálogo franco com o menino e não deixa de participar de sua vida. “Apesar da separação, ele continua sendo a coisa mais importante para mim. Faço de tudo para poupá-lo de tormentos”, diz.

Vanessa Jacinto

sexta-feira, 11 de setembro de 2009


Trabalho


Entre dois mundos

Depois de ser mãe, a volta ao trabalho é sempre um desafio para mulheres que consideram a profissão um direito adquirido

Um momento inquietante na vida de uma mulher que acaba de ser mãe: a volta ao trabalho, com o fim da licença-maternidade, quatro meses depois que o bebê veio ao mundo. É o caso da administradora Cibele Ramos de Freitas Társia, de 26 anos. Ela só tem olhos para a filha Ana Carolina, de 3 meses. “É como se eu estivesse numa bolha de proteção contra o resto do mundo, cheirando a neném, com os horários regulados pela fome e pelo sono dela e sem prestar muita atenção no resto.”
O relógio de Cibele é o sinal que a filha dá de duas em duas horas para ser amamentada. “É uma ligação tão forte, simbiótica, que, nos primeiros dias de vida, eu achava que éramos uma só pessoa. Sei que o retorno vai ser difícil, mas gosto do meu trabalho e até já fiz a experiência de visitar os colegas no departamento de logística, no qual trabalho”, comenta. “Foi muito bom, todo mundo fez festa, me recebeu superbem, mas ainda não estou pronta. Por enquanto, só penso em dar colo, trocar fralda, amamentar, brincar, rir com as gracinhas que ela já faz, conhecer mais a minha filha que a cada dia está mais linda. Ser mãe foi uma das experiências mais ricas e transformadoras da minha vida.”
Além da ajuda do marido, o médico anestesista Rodrigo de Almeida Társia, de 35 anos, Cibele já tem uma babá, que está sendo preparada para o momento em que ela terá que voltar ao trabalho. Privilegiada, conta também com a ajuda da mãe e da sogra, que vão se revezar com a babá, enquanto ela estiver no trabalho.
Como Cibele, a maioria das mulheres enfrenta esse dilema. Algumas com mais ou menos culpa, muita cobrança e até medo de não dar conta das múltiplas funções. “Separar-se do bebê depois de uma convivência tão íntima é uma tortura. Mas o papel da mulher hoje não é só de dona de casa, mãe e mulher. Ela conquistou novos lugares e ser profissional é um deles”, diz a psicóloga Daniela Silveira, responsável pelo Projeto Nascer – Desenvolvimento em Família, que conta com uma equipe multidisciplinar, para orientar os pais desde o planejamento de um filho, passando pela gestação, primeira infância, entrada na escola e por todos os problemas de desenvolvimento da criança.
Quando pensou no Projeto Nascer, Daniela estava grávida de Pedro, hoje com 3 anos e 6 meses, sendo motivadajustamente pelos conflitos que enfrentava na época, antes mesmo de ele nascer. “Tive que redimensionar a minha vida e o meu tempo. Comecei mexendo nos meus horários, espaçando os intervalos entre os clientes, para poder ir em casa amamentar. A gente tem que se adaptar.”
Ela lembra, porém, que toda mudança gera um conflito. “Sentir culpa é normal, porque a mãe está vivendo um momento muito prazeroso com o filho recém-nascido e, de repente, tem que voltar ao trabalho, do qual ela saiu como profissional, mas volta também com um novo papel: o de mãe.”

Déa Januzzi

quinta-feira, 10 de setembro de 2009


Saúde Pública - Comportamento
Dias difíceis para os homens
Pesquisas mostram que os pais também podem ser vítimas da depressão pós-parto


A depressão pós-parto, que afeta de 10% a 15% das mulheres, deixou de ser encarada como um problema exclusivamente feminino. Cientificamente, já está comprovado que os homens também padecem do mal. Embora não existam estudos no Brasil, na Inglaterra há, inclusive, estatísticas. De acordo com uma pesquisa inglesa, realizada com 8,4 mil homens, 3,6% dos pais apresentam sintomas da depressão.
A pesquisa foi conduzida pelas universidades de Oxford e Bristol e os especialistas constataram que, oito semanas depois do nascimento do bebê, uma parcela dos pais apresentava características, como ansiedade, irritabilidade e desesperança, configurando um quadro depressivo.
Para a psicóloga Daniela Maria Teixeira Silveira, os números podem ser ainda maiores, se for levado em conta o fato de que os homens tendem a esconder seus problemas, não falar deles ou admiti-los. Além disso, como o foco do nascimento do filho está sempre mais voltado para a mulher, o homem ainda não conseguiu espaço (ou não criou o hábito) para falar de si.
Os motivos da depressão masculina com a chegada do filho são tão complexos quanto os femininos. Se as mulheres, por um lado, experimentam mudanças no corpo e alterações hormonais que ocorrem durante toda a gestação de maneira intensa, favorecendo um quadro de depressão, no caso dos homens, pode-se dizer que o “susto” é maior, pois eles só vão concretizar a paternidade na hora do nascimento da criança.
A partir daí, muitas de suas angústias, assim como ocorre com as mães, têm a ver com insegurança, medo do novo, ou de não ser o melhor pai do mundo. Nessa fase, o homem também pode resgatar conflitos de sua vivência como filho.
Problemas no trabalho também podem ser desencadeadores da depressão paterna. Segundo Daniela, diversas pesquisas têm associado sintomas de depressão pós-parto nos homens a crises no emprego. Em casos de gravidez não-planejada, a incidência tende a ser maior, já que o filho passa a ser sinônimo de uma nova e indesejada rotina.
Umas das maiores dificuldades para resolver o problema da depressão pós-parto masculina é o preconceito. A sociedade ainda não permite que o homem chore ou sofra e ele tem dificuldades para manifestar seus sentimentos e buscar ajuda. Muitos pais, inclusive, têm dificuldade em identificar os sintomas e resolvem ignorá-los.
Enquanto as mulheres tendem a ficar apáticas e negar a importância da maternidade, os homens costumam fugir do foco do problema e passam cada vez mais tempo fora de casa. “Tanto no caso de homens quanto no de mulheres, fingir que o problema não existe só piora a situação”, alerta Daniela. Segundo ela, se a depressão não for devidamente tratada, costuma surgir uma série de problemas no casamento e em outros relacionamentos sociais. Não é incomum, no caso de depressão pós-parto masculina, que os homens comecem a flertar com outras mulheres.
O motivo é que eles podem se sentir excluídos da casa, pelo fato de que a mulher costuma se dedicar quase integralmente ao filho. “Cansada e cheia de afazeres, ela pode mesmo deixar o companheiro de lado. O resultado pode ser um pai com ciúmes do filho”, ressalta a especialista.
PREVENÇÃO
Independentemente de afetar o homem ou a mulher, a melhor saída para evitar a depressão pós-parto é a prevenção que, segundo Daniela Maria Teixeira Silveira, deve começar quando o casal manifesta o desejo de ter um filho. Prevenir, no caso, é se preparar para o bebê que vai chegar, procurando juntar informações – que vão facilitar as rotinas com o bebê e facilitar a compreensão das mudanças em todos os níveis – e sabendo identificar a diferença entre sonho e projeto baseado na realidade. “O casal tem que se preparar no que diz respeito à estrutura da casa, finanças e emocionalmente.”
Diálogo é fundamental e o casal deve estar em sintonia. Isso evita situações de desconfiança, de incompreensão e de cobranças excessivas. Também permite que haja parceria na gestação. O pai deixa de ser apenas uma testemunha, para realmente participar de todo o processo. Existem homens que vivem tão plenamente a gestação do filho, que chegam a ter sintomas como enjôo, ganho de peso, sono em excesso etc.
Entretanto, se não foi possível evitar a depressão, a dica é não hesitar em procurar ajuda (especializada ou de amigos que vivem os mesmos problemas). “O que mais conta é a maturidade do casal para resolver as situações. No mais, é encarar o nascimento de um filho, o tornar-se pai ou mãe, com a naturalidade própria desses acontecimentos, que fazem parte da condição humana”, ensina.
Foram justamente maturidade e a procura de um psicólogo que livraram o policial Bruno Lanna de Carvalho, de 28 anos, de viver um quadro de depressão. Ele teve estresse pós-parto depois que o filho Gustavo, hoje com seis meses, nasceu. O menino tinha problemas cardíacos, fez várias cirurgias e chegou a ser desenganado por alguns médicos. Depois foram os longos 21 dias de espera para que o bebê pudesse ser levado para casa.
Segundo Bruno, foram tempos de muita ansiedade e ele só não desmoronou para preservar a mulher. “Eu participei de tudo, sonhava muito com a chegada do Gustavo e time muito medo de que a previsão dos médicos se confirmasse. Foi muito importante ter recebido ajuda psicológica para agüentar o baque e ter a oportunidade de ficar algum tempo em casa, para pensar nas formas de administrar os problemas. Felizmente deu tudo certo: meu filho está vivo e saudável”, conta.


Vanessa Jacinto

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

































Vida

Vínculo de ternura


Amamentar é um momento de carinho entre mãe e filho, além de garantir todos os nutrientes necessários ao crescimento do bebê.

Olhar de Rafael Franco de Araújo, de 4 meses, para Jeane Vivas Franco, de 34 anos, enquanto mama, expressa uma perfeita simbiose entre mãe e filho. Esse momento de intimidade, que será lembrado durante a Semana Mundial da Amamentação, de 1º a 7 de agosto, fará diferença para toda a vida do bebê, conforme atesta a psicóloga Daniela Maria Teixeira Silveira Ivo, coordenadora do Projeto Nascer Desenvolvimento em Família. Segundo a especialista, não é exagero dizer que a criança amamentada durante seus primeiros anos de vida terá mais chances de se tornar um adulto saudável e mais realizado. É o que se pode imaginar para o futuro de Rafael. A relação de carinho já faz dele um bebê tranqüilo, benfazejo e muito sensível à movimentação ao seu redor. Sempre atento a tudo: cores, sons e cheiros. E a mãe não tem dúvidas de que esse excelente desenvolvimento físico e cognitivo deve-se, em grande parte, à ligação criada entre eles durante a amamentação. “É a fase mais importante e gostosa. O contato, o olhar, o cheiro”, emociona-se. Ao mesmo tempo, ela comemora que, além do momento de familiaridade, amamentar ainda garante todos os nutrientes necessários ao pequeno Rafael. “O leite é completo. Não precisa de mais nada.” Jeane está curtindo mais a amamentação do filho, uma vez que, com a primogênita Júlia Franco, de 3 anos e 5 meses, a experiência foi mais difícil. “Tive que ir três vezes ao hospital para aprender a massagear as mamas”, lembra. Também era grande o desconforto ao dormir. Os mamilos se feriram e ela teve que usar o bico de silicone até que cicatrizassem. Todos os cuidados a ajudaram a amamentar por um bom tempo, mas, mesmo assim, teve que interromper a prática 11 meses antes de Júlia completar 2 anos. “O leite empedrou e o bico do peito ficou invertido. Fiquei muito frustrada”, relata. Ao amamentar Rafael, além de mais experiente, Jeane buscou ajuda de profissionais para melhor vivenciar esse momento. Ela é um exemplo de como a persistência, o amor e também apoio e orientação são fundamentais para que o aleitamento materno ocorra. Segundo a fonoaudióloga Ana Hernandez, o preparo deve começar no período gestacional, com orientação para os cuidados com as mamas. Aliás, a idéia de que amamentar é algo instintivo pode encobrir uma série de cuidados que devem ser tomados para que esse momento seja prazeroso. A mestre em fonoaudiologia pela PUC-SP Jaqueline Abrantes Pêgo ressalta que o ato de amamentar não garante, por si só, o vínculo entre mãe e filho. "O que garante é a história da mãe, o ambiente e como ela é acolhida tanto pelo marido, por familiares, quanto pela equipe de profissionais que a acompanha", alerta. Ela defende uma atenção humanizada, que permita que as mulheres se sintam seguras para cuidar de seus filhos. "No processo de formação do vínculo, é preciso que a mãe esteja sensível e identifique as necessidades do seu bebê. Só assim será capaz de lhe fornecer cuidados e estar completamente envolvida e em sintonia com o ritmo da criança", comenta. A fonoaudióloga é taxativa ao afirmar que as mães não devem ficar constrangidas em pedir ajuda para a equipe hospitalar, sempre que sentirem necessidade. A psicóloga Daniela Ivo também propõe que são imprescindíveis políticas públicas para dar assistência às mães, principalmente as de baixo poder aquisitivo.

Márcia Maria Cruz
Processo simples
Vanessa Jacinto


Daniela com os filhos, Pedro e Davi: ela se sentiu vitoriosa e respeitada depois que conseguiu fazer um parto natural
Desafiar uma decisão médica e procurar uma segunda opinião para, enfim, realizar o sonho do parto pleno, autônomo, natural. Foi assim que fez a psicóloga Daniela Ivo, mãe de Pedro, com 5 anos, e de Davi, que ainda não completou 1 ano de vida. Embora Daniela tenha se preparado para o parto normal, confiando na natureza e na tradição familiar, o primeiro filho nasceu por cesárea. Foi um susto quando, depois de um ultrassom, na 38ª semana, a médica indicou a realização da cirurgia, devido a uma suspeita de diminuição do líquido amniótico. Mesmo confusa e insatisfeita, Daniela considerava descabido não seguir uma orientação médica.Na segunda gravidez, logo veio outra indicação de parto cirúrgico, pelo simples fato de ela já ter feito uma cesárea. “Aí eu decidi buscar médicos que trabalham com a filosofia do parto humanizado. Pesquisei muito sobre nascimentos e sobre as indicações de cada tipo de parto. Descobri que poderia ter um parto natural na minha segunda gestação e que não precisava ter feito cesárea na primeira. Por uma medida extrema de precaução, eu e meu filho perdemos todos os benefícios de um parto normal. Naquela ocasião, o ideal seria apenas monitorar e só optar pela cirurgia se o problema realmente chegasse a existir.”