sábado, 12 de setembro de 2009



Vida


Separação civilizada



Escritor lança uma espécie de manual de etiqueta, para casais que optam pelo fim do casamento sem ressentimentos

Mágoas, decepções, expectativas frustradas, desamor, vontade de vingar o orgulho ferido. Em meio a esse turbilhão de sentimentos que, muitas vezes, envolve casais que se separam, sobram os filhos. E é justamente pensando no bem deles (e para tranqüilidade da nova família) que pai e mãe devem seguir as regras da boa convivência ou o que atualmente passou a ser chamo de etiqueta da separação.
Essa etiqueta envolve, acima de tudo, sabedoria do casal para negociar, como recomenda o escritor Marcos Wettreich, autor do livro Manual de mães e pais separados - guia para a educação e a felicidade dos filhos, lançado recentemente pela Ediouro. A partir de sua própria experiência de separação, ele mostra os caminhos de um divórcio menos traumático e conturbado.
Pai de gêmeos, Marcos está longe de fazer apologia do fim do casamento. Pelo contrário, considera que, idealmente, a relação deve ser feita para durar. Entretanto, se a situação do casal é ruim e não há meios de resolvê-la, o melhor é desatar os laços, de forma a afetar as crianças o mínimo possível.
Não que isso seja fácil, mas algumas de seus conselhos podem ser úteis, na hora de estabelecer uma nova rotina nos relacionamentos . “Com menos culpa e agindo de maneira correta e respeitosa, a separação não precisa ser, necessariamente, ruim. A nova família terá ex-marido e ex-mulher, mas jamais ex-pai e ex-mãe”, pondera.
Para facilitar, os pais devem pensar que são sócios no bem mais precioso que têm: os filhos. Sendo assim, o mal que um faz ao outro, sempre respinga na criança. É muito comum, por exemplo, situações como a do menino João, de 7 anos, que reclama sempre que o pai não gosta mais dele, nunca telefona, nem aparece para visitas. No entanto, não desconfia de que a mãe intercepta ligações do pai, impede que a família dele se comunique com a criança e tenta punir o ex-marido, impedindo-o de ver o filho. Em situações semelhantes, como acredita a psicóloga Daniela Maria, quem acaba sendo castigada de verdade é a criança que, além de sofrer com a separação, é obrigada a conviver com a ausência do pai.
Ser considerado um pai ausente foi o que o instrutor de auto-escola Carlos Wellington Lima, de 34 anos, sempre quis evitar, desde que se separou da mulher, há pouco mais de dois anos. Para preservar o relacionamento com o filho Marco Túlio da Silva Lima, de 6 anos, ele mantém um diálogo franco com o menino e não deixa de participar de sua vida. “Apesar da separação, ele continua sendo a coisa mais importante para mim. Faço de tudo para poupá-lo de tormentos”, diz.

Vanessa Jacinto

Um comentário:

  1. Pois é, resolvi compartilhar no blog meus pitacos em algumas matérias para o caderno Bem Viver do jornal Estado de Minas.

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