Vida
Vínculo de ternura
Amamentar é um momento de carinho entre mãe e filho, além de garantir todos os nutrientes necessários ao crescimento do bebê.
Olhar de Rafael Franco de Araújo, de 4 meses, para Jeane Vivas Franco, de 34 anos, enquanto mama, expressa uma perfeita simbiose entre mãe e filho. Esse momento de intimidade, que será lembrado durante a Semana Mundial da Amamentação, de 1º a 7 de agosto, fará diferença para toda a vida do bebê, conforme atesta a psicóloga Daniela Maria Teixeira Silveira Ivo, coordenadora do Projeto Nascer Desenvolvimento em Família. Segundo a especialista, não é exagero dizer que a criança amamentada durante seus primeiros anos de vida terá mais chances de se tornar um adulto saudável e mais realizado. É o que se pode imaginar para o futuro de Rafael. A relação de carinho já faz dele um bebê tranqüilo, benfazejo e muito sensível à movimentação ao seu redor. Sempre atento a tudo: cores, sons e cheiros. E a mãe não tem dúvidas de que esse excelente desenvolvimento físico e cognitivo deve-se, em grande parte, à ligação criada entre eles durante a amamentação. “É a fase mais importante e gostosa. O contato, o olhar, o cheiro”, emociona-se. Ao mesmo tempo, ela comemora que, além do momento de familiaridade, amamentar ainda garante todos os nutrientes necessários ao pequeno Rafael. “O leite é completo. Não precisa de mais nada.” Jeane está curtindo mais a amamentação do filho, uma vez que, com a primogênita Júlia Franco, de 3 anos e 5 meses, a experiência foi mais difícil. “Tive que ir três vezes ao hospital para aprender a massagear as mamas”, lembra. Também era grande o desconforto ao dormir. Os mamilos se feriram e ela teve que usar o bico de silicone até que cicatrizassem. Todos os cuidados a ajudaram a amamentar por um bom tempo, mas, mesmo assim, teve que interromper a prática 11 meses antes de Júlia completar 2 anos. “O leite empedrou e o bico do peito ficou invertido. Fiquei muito frustrada”, relata. Ao amamentar Rafael, além de mais experiente, Jeane buscou ajuda de profissionais para melhor vivenciar esse momento. Ela é um exemplo de como a persistência, o amor e também apoio e orientação são fundamentais para que o aleitamento materno ocorra. Segundo a fonoaudióloga Ana Hernandez, o preparo deve começar no período gestacional, com orientação para os cuidados com as mamas. Aliás, a idéia de que amamentar é algo instintivo pode encobrir uma série de cuidados que devem ser tomados para que esse momento seja prazeroso. A mestre em fonoaudiologia pela PUC-SP Jaqueline Abrantes Pêgo ressalta que o ato de amamentar não garante, por si só, o vínculo entre mãe e filho. "O que garante é a história da mãe, o ambiente e como ela é acolhida tanto pelo marido, por familiares, quanto pela equipe de profissionais que a acompanha", alerta. Ela defende uma atenção humanizada, que permita que as mulheres se sintam seguras para cuidar de seus filhos. "No processo de formação do vínculo, é preciso que a mãe esteja sensível e identifique as necessidades do seu bebê. Só assim será capaz de lhe fornecer cuidados e estar completamente envolvida e em sintonia com o ritmo da criança", comenta. A fonoaudióloga é taxativa ao afirmar que as mães não devem ficar constrangidas em pedir ajuda para a equipe hospitalar, sempre que sentirem necessidade. A psicóloga Daniela Ivo também propõe que são imprescindíveis políticas públicas para dar assistência às mães, principalmente as de baixo poder aquisitivo.
Márcia Maria Cruz

Esta também é parte de uma entrevista que dei para a repórter Márcia do EM. Em defesa da amamentação!!!
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